A vida é mesmo engraçada.
A pouco tempo atrás eu era só uma garota perdida em uma cidade que nunca tinha visto,com gente que eu não conhecia,e pior de tudo,sozinha.
tem coisa mais assustadora e ao mesmo tempo corajosa que essa?
Se jogar no mundo pra ser quem você sempre quis ser,deixar sua zona de conforto.
E é aí que a vida começa a se ajeitar,quando você sai do conforto da sua casa,do colo dos seus pais.
Então tudo parece ser o fim do mundo,os fins de tarde são dolorosos,os fins de semana longe mais ainda.
Mas daí depois de um tempo você senta em uma cadeira de madrugada só pra ser clichê sobre tudo isso.
Nunca esteve no plano ser clichê,ainda mais quando se trata de quem eu quero falar,mas as vezes momentos como esses são pedidos.
Alguma vez na sua vida você já parou pra pensar um pouco e desejou ter alguém que você pudesse falar sobre tudo e essa pessoa não ia te olhar com olhos de reprovação e te julgar mentalmente,mesmo fingisse que concorda com tudo o que você está falando? bem,eu já.mil vezes.
Eu passei por uma fase da minha vida em que eu me sentia muito sozinha,e quando cheguei na faculdade não foi diferente.Era estar cercada por muitas pessoas mas ainda sim estar sozinha.
E aí surge uma garota que a primeira vez que ouvi a voz dela pensei " Meu Deus,que pessoa nojinho,certeza que não vou gostar dela."
Mas aí a nojinho precisou de uma bucha e um balde pra lavar o apartamento dela que,não por acaso,era no prédio do lado do meu,e eu como uma pessoa muito bondosa,emprestei.
Eu não me lembro bem qual foi o momento que eu descobri que ela era diferente das outras pessoas,pode ter sido um daqueles fim de semanas sozinhos e depressivos sem nada pra fazer,ou aquelas decepções com acontecimentos da vida,ou quem sabe aquelas voltas pra casa da faculdade juntas conversando.
Tudo que sei é que depois de um tempo eu passava mais tempo na casa dela do que na minha,e ela nem ligava mais.
E foram vários episódios memoráveis,os alegres,os tristes e os que eram uma mistura dos dois,ou devo dizer " um misto de prazer e agonia." ?
E demorou até a gente finalmente aceitar que não tinha jeito,o negócio era morarmos juntas,e claro,também foi uma aventura,ou melhor colocado,desventura.
Eu sento aqui e fico pensando o quão estranho seria se nada disso tivesse acontecido.
Estranho seria não acordar todas as manhãs com ela na porta do meu quarto,com cara de mau humor e falando " piu,desliga o despertador!" ou almoçar todos os dias assistindo Bob Esponja ou Friends,ou escutar ela gritando do banheiro " piuuu posso usar seu creme?" mesmo já sabendo a resposta.
Estranho seria se não tivesse aquela bagunça colossal pré festa de roupas,maquiagem,sapatos,chapinha,secador,todos por cima da cama e espalhados pelo quarto,ou os mini surtos com coisas bobas,conversar pelo face mesmo estando no quarto ao lado e as longas e profundas conversas que só acontecem depois da meia noite.
E não,naquele apartamento no edifício tão sonhado por nós nunca falta conversa,nunca falta assunto,nunca falta coisa pra comentar,embora estamos juntas 24 horas por dia,nunca há silêncio entre nós.Chega a assustar a quantidade de assunto que a gente tem pra conversar todo esse tempo.
Estranho seria se eu não fizesse compras no supermercado com você,cada corredor uma nova piada,cada corredor um novo surto com comida. " vamos levar ketchup?" " simmmmmm, mas tem que ser - pequeno pulo,sorriso e apontando a prateleira - HEINZ!" ou ficar enroscada na seção de esmaltes e sempre acabar levando uns cinco.
Estranho seria se não tivesse você com essa carinha de cachorrinho abandonado dizendo " piuzinha sabe o que eu tô com vontade?" ou então toda orgulhosa por que conseguiu trocar a resistência do nosso chuveiro sozinha, ou com gastrite quando as coisas ficam estranhas e parecem não ter solução.
Ou aqueles momentos em que eu preciso ser melosa e apelo pra você no meio da madrugada com aquele pedido " ai Li,posso ser mimizenta por um momento?" e aí eu até te imagino respirando fundo,dando um sorriso de lado e digitando " ai,manda ver."
E definitivamente,as idas ao hospital não seriam a mesma coisa sem você.
Resumindo, sou feliz por poder afirmar com toda segurança que eu achei aquela pessoa que eu descrevi ali em cima.Não tem nada na minha vida que você não saiba,e você nunca me julgou,nunca apontou o dedo pra questionar nada,embora houve muitos momentos em que levei várias broncas suas,e com toda a razão,confesso.E sempre que algo acontece,bom ou ruim,a primeira pessoa que eu penso pra contar é você.
Mas o que eu posso dizer? Você é o tipo de amigo que se leva pra vida,convida pra ser madrinha de casamento,madrinha dos filhos,pra tomar chá na sua casa e compartilhar os detalhes da sua vida sempre.
E eu tô aqui sendo toda clichê só por que eu tô com saudade,e só pra dizer o que é óbvio: a vida não seria a mesma sem você,a palavra " amiga" não é grande o suficiente pra te descrever e o meu obrigada nunca será o bastante.
Eu te amo,nojinho :)

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